

A Secretaria de Estado da Mulher lançou, nesta quarta-feira (20), uma plataforma digital dedicada ao monitoramento da violência contra mulher. A ferramenta integra o Observatório do Feminicídio e reúne dados de segurança, saúde, segurança pública e Justiça, para o monitoramento de casos no Rio de Janeiro. A plataforma, que conta com apoio técnico da UFRJ, recebeu um aporte de R$ 2,4 milhões.
Com uma linguagem acessível, o portal conta com painéis interativos que mostram levantamentos sobre a mancha criminal contra as mulheres. No ano passado, foram registradas 148 notificações diárias de agressões contra mulheres em unidades de saúde. A agregação e a análise desses dados podem ajudar o Governo do Estado a traçar um panorama da violência no território fluminense e colocar em prática políticas públicas de prevenção.
Entre janeiro e julho deste ano, as unidades de saúde fluminenses registram 42.152 notificações de violência. Desse total, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ), 73,5% dos casos tinham como vítimas mulheres. Nesse cenário, as agressões físicas são predominantes. Em segundo lugar, aparece a violência sexual, manifestada no estupro. Ainda segundo a SES-RJ, em 42% das notificações, os agressores reincidiram em suas ações violentas.
A secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar, ressaltou que a atuação conjunta de vários órgãos sob a coordenação do Observatório do Feminicídio permitirá uma ação mais eficiente por parte do Governo do Estado.
“Pela primeira vez, reunimos em um só espaço dados de órgãos públicos que denunciam, investigam, julgam e acolhem. É uma iniciativa que une ciência e dados para enfrentar uma das formas mais cruéis de violência contra a mulher. Nosso compromisso é continuar trabalhando para que nenhuma mulher seja silenciada pela violência,” disse a secretária.
A média de casos de violência contra a mulher deste ano é de 139 casos por dia. Em 2023, a média diária foi de 148 casos. Quanto aos femincídios, o Instituto de Segurança Pública (ISP) aponta que, entre janeiro e julho de 2025, foram registradas 53 mortes – 12 a menos que no mesmo período de 2024.
Um levantamento realizado pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) mostra que, no primeiro semestre deste ano, foram concedidas 23.440 medidas protetivas de urgência. Além disso, no mesmo período, 3.032 prisões relacionadas à violência doméstica foram executadas.
“Os casos de feminicídio e agressões a mulheres são constantes e alarmantes. A iniciativa de integrar o novo painel da Saúde RJ com informações sobre as notificações compulsórias a outras áreas do Governo em ferramenta única é importantíssima. Certamente vai ajudar a formular novas políticas públicas para enfrentamento deste tipo de violência. Essa força tarefa é fundamental para garantir que as mulheres estejam protegidas e acolhidas,” comentou a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
No evento, o Governo do Estado anunciou o lançamento de uma cartilha informativa e a realização de um curso de capacitação para agentes de segurança pública. Através do material, as autoridades pretendem otimizar a atuação da rede de proteção à violência contra as mulheres.
