

As empresas Riocard e Riopar, que comandaram por mais de duas décadas o sistema de bilhetagem eletrônica no transporte público do Rio de Janeiro, decidiram levar o embate com o prefeito Eduardo Paes para a Justiça. As companhias ajuizaram ação em que cobram R$ 50 mil por danos morais, alegando terem sido alvo de ataques públicos do prefeito em entrevistas, vídeos e postagens nas redes sociais.
Na ação, as empresas afirmam que o prefeito fez declarações de caráter “calunioso, difamatório e injurioso” ao se referir aos responsáveis pela bilhetagem. Em diferentes ocasiões, Paes teria chamado dirigentes ligados à Riocard de “mafiosos”, “delinquentes” e também usado a expressão “raposas cuidando do galinheiro” para criticar a gestão do antigo sistema.
As empresas citam ainda um episódio emblemático: em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito aparece quebrando com um martelo uma caixa preta com o nome “RioCard” estampado, em uma encenação para marcar o fim da bilhetagem controlada pela iniciativa privada e o início do novo modelo.
Na petição, Riocard e Riopar sustentam que Eduardo Paes teria desencadeado uma espécie de campanha pública para descredibilizar o antigo sistema de bilhetagem eletrônica, substituído pelo cartão municipal Jaé. Segundo as empresas, o prefeito teria associado a bilhetagem anterior a práticas “nada republicanas”, colocando em dúvida a lisura da atuação do grupo ao longo dos anos em que operou os cartões no transporte público carioca.
O processo pede reparação por danos morais no valor de R$ 50 mil, alegando que as declarações do prefeito atingem a honra e a imagem das empresas e de seus dirigentes, tanto perante o mercado quanto junto à opinião pública. As companhias dizem que as falas teriam extrapolado o limite da crítica política e administrativa, ingressando no campo do ataque pessoal.
