STF tem maioria contra extradição de condenado por elo com Al-Qaeda

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para indeferir pedido de extradição de Mohamed Ahmed Elsayed Ahmed Ibrahim, 48 anos, feito pelo Egito. Mohamed foi condenado em seu país à prisão perpétua por fazer parte do grupo terrorista Al-Qaeda.

A condenação dele se deu pelo Tribunal Penal de Segurança do Estado de Emergência de Tanta.  O Egito baseou o pedido de extradição na Convenção Internacional para Supressão do Financiamento do Terrorismo.

No entanto, após parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), quatro ministros da Segunda Turma do STF entenderam, no julgamento da ação Ext. 1.889, que há insuficiência de documentos no pedido.

“No caso em apreço, o controle legalidade torna-se inviável diante das imprecisões quanto ao local e às datas exatas das condutas que justificaram o requerimento de extradição executória. Sendo assim, é de se acolher a manifestação do Ministério Público Federal pelo indeferimento do pedido de extradição formulado pela República Árabe do Egito”, disse o relator do caso, ministro Edson Fachin em seu voto.

Fachin foi acompanhado por outros três ministros no julgamento que ocorre em plenário virtual desde o dia 19 de dezembro, com prazo para término em 6 de fevereiro. São contra a extradição também os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques. Falta ainda o voto de Gilmar Mendes.

Fachin não faz mais parte da Segunda Turma. Ele deixou o colegiado para assumir a presidência do Supremo. Mas o voto dele foi como relator e os ministros analisam o caso após retorno do voto-vista do ministro Nunes Marques. Confira:

Ibrahim mora no Brasil desde 2017. Desde 2018, é reconhecido como residente legal, conforme nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e da Justiça.

O egípcio é casado com uma brasileira e tem uma loja de móveis. A defesa dele alega que o cliente foi julgado no Egito à revelia e que a acusação “é uma forma de tentar transformar opiniões políticas contrárias ao governo (do Egito), para tentar criminalizar”.

Operação no Brasil

Em junho de 2025, Ibrahim, que é também procurado pelo FBI, foi alvo de operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que apura lavagem de dinheiro da facção Comando Vermelho (CV). Na ação, os agentes também investigaram a mulher do MC Poze, a influenciadora Vivi Noronha, e um segurança do chefe do tráfico do Complexo do Alemão, Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”.

Segundo dados de cooperação internacional, publicados na Coluna Na Mira, de Carlos Carone, Mohamed tem histórico relevante no sistema financeiro informal ligado à facção. Cidadão egípicio, ele foi incluído na lista de suspeitos de terrorismo procurados pelos Estados Unidos em 2019.

Em relatório do FBI, Mohamed é descrito como “armado e perigoso”. “Ele esteve, supostamente, envolvido no planejamento de ataques contra os Estados Unidos e seus interesses, e no fornecimento de apoio material para Al-Qaeda desde, aproximadamente, 2013”, diz o documento.

De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, ele obteve autorização de residência no Brasil, em 2018, em que mantinha, à época, o status migratório regular. No ano seguinte, o governo brasileiro informou cooperação com as autoridades americanas, mediante solicitação, nos termos da legislação brasileira.

A Al-Qaeda (AQ) foi fundada em 1988 por Osama bin Laden, responsável pelo ataque de 11 de setembro às torres gêmeas, nos Estados Unidos.



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A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para indeferir pedido de extradição de Mohamed Ahmed Elsayed Ahmed Ibrahim, 48 anos, feito pelo Egito. Mohamed foi condenado em seu país à prisão perpétua por fazer parte do grupo terrorista Al-Qaeda.

A condenação dele se deu pelo Tribunal Penal de Segurança do Estado de Emergência de Tanta.  O Egito baseou o pedido de extradição na Convenção Internacional para Supressão do Financiamento do Terrorismo.

No entanto, após parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), quatro ministros da Segunda Turma do STF entenderam, no julgamento da ação Ext. 1.889, que há insuficiência de documentos no pedido.

“No caso em apreço, o controle legalidade torna-se inviável diante das imprecisões quanto ao local e às datas exatas das condutas que justificaram o requerimento de extradição executória. Sendo assim, é de se acolher a manifestação do Ministério Público Federal pelo indeferimento do pedido de extradição formulado pela República Árabe do Egito”, disse o relator do caso, ministro Edson Fachin em seu voto.

Fachin foi acompanhado por outros três ministros no julgamento que ocorre em plenário virtual desde o dia 19 de dezembro, com prazo para término em 6 de fevereiro. São contra a extradição também os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques. Falta ainda o voto de Gilmar Mendes.

Fachin não faz mais parte da Segunda Turma. Ele deixou o colegiado para assumir a presidência do Supremo. Mas o voto dele foi como relator e os ministros analisam o caso após retorno do voto-vista do ministro Nunes Marques. Confira:

Imagem colorida de votação dos ministros da Segunda Turma do STF

Ibrahim mora no Brasil desde 2017. Desde 2018, é reconhecido como residente legal, conforme nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e da Justiça.

O egípcio é casado com uma brasileira e tem uma loja de móveis. A defesa dele alega que o cliente foi julgado no Egito à revelia e que a acusação “é uma forma de tentar transformar opiniões políticas contrárias ao governo (do Egito), para tentar criminalizar”.

Operação no Brasil

Em junho de 2025, Ibrahim, que é também procurado pelo FBI, foi alvo de operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que apura lavagem de dinheiro da facção Comando Vermelho (CV). Na ação, os agentes também investigaram a mulher do MC Poze, a influenciadora Vivi Noronha, e um segurança do chefe do tráfico do Complexo do Alemão, Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”.

Segundo dados de cooperação internacional, publicados na Coluna Na Mira, de Carlos Carone, Mohamed tem histórico relevante no sistema financeiro informal ligado à facção. Cidadão egípicio, ele foi incluído na lista de suspeitos de terrorismo procurados pelos Estados Unidos em 2019.

Em relatório do FBI, Mohamed é descrito como “armado e perigoso”. “Ele esteve, supostamente, envolvido no planejamento de ataques contra os Estados Unidos e seus interesses, e no fornecimento de apoio material para Al-Qaeda desde, aproximadamente, 2013”, diz o documento.

De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, ele obteve autorização de residência no Brasil, em 2018, em que mantinha, à época, o status migratório regular. No ano seguinte, o governo brasileiro informou cooperação com as autoridades americanas, mediante solicitação, nos termos da legislação brasileira.

A Al-Qaeda (AQ) foi fundada em 1988 por Osama bin Laden, responsável pelo ataque de 11 de setembro às torres gêmeas, nos Estados Unidos.

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