“Suprema humilhação”, desabafa Bolsonaro após colocar tornozeleira eletrônica

Brasília (DF) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como uma “suprema humilhação” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou nesta sexta-feira (18) a aplicação de medidas cautelares contra ele, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, restrição de deslocamento e proibição de contato com diplomatas e redes sociais.




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A decisão foi cumprida durante operação da Polícia Federal em Brasília, no âmbito da Petição 14.129, que apura obstrução de Justiça, coação no curso do processo e atentado contra a soberania nacional. Conforme a investigação, Bolsonaro teria atuado junto ao filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para pressionar autoridades brasileiras com suposta articulação internacional.

Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente, agentes da PF localizaram US$ 14 mil (cerca de R$ 76 mil) e R$ 8 mil em espécie, além de um pendrive escondido no banheiro. O material foi apreendido e encaminhado para perícia. Em entrevista, Bolsonaro declarou que os valores estavam devidamente declarados:

“Tem recibo do Banco do Brasil”.


“Nunca pensei em sair do Brasil”

Após a instalação da tornozeleira eletrônica, Bolsonaro falou à imprensa e negou qualquer intenção de fuga ou solicitação de asilo:

“Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada”.

As declarações respondem diretamente às medidas que o impedem de se aproximar de representações diplomáticas.

Pelas novas restrições impostas pelo STF, Bolsonaro está proibido de:

  • deixar sua residência entre 19h e 7h, inclusive nos fins de semana;
  • comunicar-se com outros investigados;
  • manter contato com autoridades estrangeiras ou diplomatas;
  • usar redes sociais ou compartilhar conteúdos relacionados à investigação.

Além disso, o ex-presidente não poderá deixar o país sem autorização judicial e deverá usar a tornozeleira eletrônica de forma permanente.


Suposta articulação nos EUA

A investigação conduzida pela Polícia Federal e acompanhada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que Bolsonaro e Eduardo teriam articulado ações políticas nos Estados Unidos para influenciar os rumos da política brasileira.

Conforme os autos, Eduardo Bolsonaro teria viajado aos EUA com o objetivo de impulsionar sanções contra autoridades brasileiras, alegando perseguição política. A PF destaca que Jair Bolsonaro teria vinculado, em declarações públicas, a possível anistia no Brasil ao fim das sanções econômicas herdadas da gestão Trump e mantidas pelo governo Joe Biden.


Defesa reage com “surpresa e indignação”

Em nota, a defesa de Jair Bolsonaro afirmou ter recebido com “surpresa e indignação” as medidas impostas e reiterou que o ex-presidente tem colaborado com as investigações e não apresentou qualquer risco de fuga ou obstrução.

Aliados também se manifestaram. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou:

“O ministro Alexandre de Moraes age com ódio político. Isso não é justiça, é vingança travestida de legalidade.”

O deputado Eduardo Bolsonaro, também investigado, declarou:

“Estão querendo criminalizar nossas opiniões e nosso trabalho parlamentar.”


Contexto da decisão

A Petição 14.129 tramita sob sigilo e foi instaurada com base em relatórios da PF e representações do Ministério Público Federal (MPF). O caso é vinculado ao Inquérito 4995, inicialmente aberto para investigar a atuação de Eduardo Bolsonaro e depois ampliado para incluir o ex-presidente.

No despacho, o ministro Alexandre de Moraes justificou as medidas como necessárias para garantir a ordem pública:

“Há fortes indícios de que o ex-presidente e seu filho atuaram de forma coordenada para obstruir a atuação do Judiciário, inclusive em articulação com atores internacionais, o que representa risco à soberania nacional.”



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