A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, voltou a se envolver em uma polêmica internacional ao defender, durante uma entrevista, o modelo de controle e censura das redes sociais adotado pela China — país comandado por uma das mais rígidas ditaduras do mundo.
Durante o podcast “Se ela não sabe, quem sabe?”, da Folha de S. Paulo, Janja comentou sobre sua viagem recente ao país asiático e elogiou o sistema de vigilância do governo chinês, que, segundo ela, seria uma solução para os problemas das redes no Brasil.
“O presidente Xi disse que eles também têm problemas internos na China… Não pode ter rede social, há toda uma regulamentação. Ele disse: se não seguir a regra, tem efeito. Tem prisão, sabe?”, afirmou, sem esconder certa admiração pelo modelo. Na sequência, questionou: “Por que é tão difícil a gente falar disso aqui?”.
O comentário gerou reações imediatas. Isso porque, na China, quem desrespeita as regras impostas pelo Partido Comunista pode ser preso, censurado, perder o sustento e até simplesmente desaparecer — realidade que, felizmente, não faz parte da democracia brasileira.
“Difícil, Janja, porque aqui é DEMOCRACIA”
Nas redes sociais, a repercussão foi instantânea. Internautas lembraram que no Brasil, diferentemente da China, vigora um regime democrático, onde o debate público é livre, ainda que muitas vezes desconfortável para quem está no poder.
Enquanto na China cidadãos não podem acessar redes como Facebook, Instagram, X (Twitter) e até Google, vivendo sob rígido monitoramento digital, no Brasil a Constituição garante liberdade de expressão, mesmo quando isso desagrada políticos.
Crítica velada ao próprio marido?
Além da defesa do controle digital, Janja deu a entender que o presidente Lula não consegue resolver o problema das redes no Brasil. Ao comentar o jantar com Xi Jinping, ela reforçou que, na visão dela, falta coragem para implementar aqui o que é feito lá.
A declaração foi vista por parte da comitiva como uma gafe diplomática. Integrantes do governo, inclusive, avaliaram que a fala causou desconforto e quebra de protocolo no encontro com a cúpula chinesa.
Ataques, tretas e mais polêmicas
O episódio se soma a outras declarações recentes da primeira-dama. Janja já havia disparado um sonoro “fuck you” (vá se ferrar) para o bilionário Elon Musk, dono do X, durante um painel do G20 no Brasil. Após a repercussão negativa, disse ter se arrependido — mas apenas pelo momento, não pelo conteúdo da fala.
Horas depois, Musk rebateu com ironia: “Eles vão perder a próxima eleição”, escreveu, com emojis de risada.
Críticas a Michelle Bolsonaro
Na mesma entrevista, Janja também não perdeu a chance de alfinetar sua antecessora, Michelle Bolsonaro. Questionada sobre se contava com maquiador em viagens oficiais, respondeu:
“Não sou essas. Você está confundindo a primeira-dama. É a outra, não sou eu.”, disparou, arrancando risos da apresentadora.
Censura é liberdade?
Janja tentou justificar sua fala citando casos envolvendo crianças que participaram de desafios perigosos no TikTok. Contudo, internautas apontaram que, embora a discussão sobre segurança digital seja válida, usar como referência um regime onde pessoas são presas por opiniões pode ter passado um pouco do ponto.
Futuro político?
Apesar do perfil ativo, Janja afirma que não pretende se candidatar a nenhum cargo político, mas reforça que continuará participando dos bastidores do poder ao lado do marido.
Se vai continuar colecionando polêmicas? Isso, pelo visto, nem ela faz questão de disfarçar.
