Transparência Brasil aciona TCU contra penduricalho criado por Alcolumbre

A Transparência Brasil enviou uma representação na última sexta-feira, 7, ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que a Corte investigue a criação de um penduricalho aprovado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O benefício concede um dia de folga para cada três trabalhados aos servidores da Casa. A medida foi instituída na véspera do feriado de Carnaval.

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A organização classificou a licença compensatória como uma “clara afronta aos princípios da motivação e do interesse público nos atos administrativos”. Segundo a Transparência Brasil, a medida foi implementada por decisão unilateral de Alcolumbre, sem qualquer publicação sobre impactos financeiros e disponibilidade orçamentária, além de não apresentar critérios claros.

Na última sexta-feira, 28, o presidente do Senado implementou a nova escala de trabalho que permite a determinados servidores tirarem um dia de folga a cada três dias úteis trabalhados. A chamada licença compensatória também poderá ser convertida em um pagamento de natureza indenizatória, ou seja, um benefício extra que não será contabilizado no teto de remuneração do funcionalismo. A medida entrou em vigor no sábado 1º.

Terão direito ao novo benefício servidores que desempenharem funções específicas em determinadas áreas, como diretoria-geral, secretaria-geral da Mesa, gabinete da presidência e consultorias legislativa e de orçamento.

Transparência Brasil pede suspensão imediata do penduricalho

A Transparência Brasil pediu ao TCU a suspensão imediata do ato e o reconhecimento de sua irregularidade. A organização solicitou ainda que a Justiça determine a publicação por parte do Senado de análises detalhadas sobre o impacto financeiro da medida e comprove a disponibilidade de recursos para sua implementação.

Na denúncia, a organização também exige que o Senado justifique os motivos para a criação do benefício e demonstre que ele atende ao interesse público.

Vista externa, fachada, do prédio do Tribunal de Contas da União (TCU)Vista externa, fachada, do prédio do Tribunal de Contas da União (TCU)
Sede do Tribunal de Contas da União (TCU) | Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Em nota, a organização comparou o benefício a vantagens concedidas pelo Ministério Público e pelo Judiciário. A medida é semelhante ao que tem sido usado em tribunais de contas e de Justiça para inflar salários de conselheiros e juízes de Direito.

“A viabilização da licença compensatória pelo Senado replicou o modus operandi do Ministério Público e do Judiciário, que criaram esse penduricalho por meio de atos administrativos, contrariando inclusive a legislação”, afirmou a ONG.

Segundo a organização, o custo da licença compensatória nos tribunais de Justiça chegou a quase R$ 1 bilhão em menos de dois anos.


Redação Oeste, com informações da Agência Estado



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