Em depoimento à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 24, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) negou que tenha ordenado uma invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por parte do hacker Walter Delgatti, para a inserção de um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
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“Não falei com ele [Delgatti] durante toda a campanha, o resto do ano”, disse. “Só fui falar com ele quando, vocês devem ter visto no depoimento do perito, em que ele diz que ele entrou em contato comigo só depois de alguns meses depois de ter invadido o sistema do CNJ. Estou bastante tranquila em provar que o processo é injusto. Eu não participei dessa questão.”
A parlamentar, que está presa na Itália, enfrenta um processo que pode resultar na cassação de seu mandato. Sobre isso, ela afirmou aos colegas que sua condenação a dez anos de prisão é “injusta”.
Relator do caso no Supremo, Moraes afirmou que a deputada mantinha uma “ligação umbilical” com Delgatti no caso. O Ministério Público acusa Zambelli de ter coordenado a invasão aos sistemas do Judiciário, executada pelo hacker.
Depoimento e defesa de Zambelli


Durante o depoimento, Zambelli declarou que não participou da ação. Ela também afirmou que manteve pouco contato com Delgatti durante o ano de 2022.
“Durante a minha campanha, soube que ele apresentou um currículo, no qual disse que me ofereceu o serviço dele para linkar as minhas redes sociais”, começou a explicar Zambelli. “Eu não paguei dinheiro nenhum para ele, no máximo, foram R$ 3 mil que paguei para uma empresa de campanha, que, por sua vez, contratou ele para fazer um link nas minhas redes. Ele teve acesso às minhas senhas para fazer isso, mas ele não o fez, por isso que eu não paguei os outros R$ 7 mil, já que o contrato todo era de R$ 10 mil.”
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De acordo com o relatório da Polícia Federal, a ação teria o objetivo de abalar a credibilidade do Judiciário. Em 14 de maio deste ano, o STF condenou a deputada de forma unânime.
Já Walter Delgatti relatou à polícia que recebeu cerca de R$ 40 mil para tentar realizar as invasões. Dentro desse valor, estariam transferências bancárias de R$ 10,5 mil feitas por ex-assessor de Zambelli. O restante teria sido entregue em espécie, em São Paulo.

