antes que o sistema desabe, Crea-RJ, CAU-RJ e Coppe/UFRJ cobram visão de Estado e fim do loteamento político nos setores de Engenharia, Arquitetura e Ciência no Rio

Em meio à corrida pelo Palácio Guanabara, três das principais instituições técnicas e acadêmicas do estado decidiram entrar no debate eleitoral de 2026 com uma pauta própria. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ) e a COPPE/UFRJ apresentaram uma Carta de Compromissos direcionada aos candidatos ao governo do estado.

O documento reúne propostas para áreas como infraestrutura, mobilidade, saneamento, prevenção de desastres e gestão pública. A intenção das entidades é fazer com que projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento do Rio avancem independentemente das mudanças de governo e dos ciclos eleitorais.

Entre as principais reivindicações está o fortalecimento da estrutura técnica do próprio Estado. As entidades defendem a criação de dois novos órgãos voltados à prevenção de desastres e à gestão territorial: o RJ Águas, para atuar na drenagem urbana e no manejo de águas pluviais, e o GEO-RJ, destinado ao monitoramento de encostas e áreas de risco.

A carta também propõe o fortalecimento do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA), que passaria a exercer um papel permanente de assessoramento técnico ao governo. Outro ponto destacado é a defesa de critérios técnicos para a escolha de dirigentes de órgãos estratégicos, como Cedae, Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), Companhia Estadual de Habitação (Cehab) e agências reguladoras.

Na área de infraestrutura, o documento elenca uma série de projetos considerados prioritários para o período entre 2027 e 2030. Entre eles estão a implantação da Linha 3 do Metrô, ligando o Rio a São Gonçalo, a construção da ferrovia EF-118, a implantação do Anel Rodoviário da BR-101 em Campos dos Goytacazes e a modernização dos sistemas de sinalização da malha ferroviária de passageiros.

As entidades também defendem uma política de planejamento urbano voltada à prevenção da ocupação desordenada, associada à ampliação dos investimentos em saneamento básico. A proposta inclui ações voltadas à segurança hídrica da Região Metropolitana, à eliminação dos lixões ainda existentes e à universalização do tratamento de esgoto.

Outro tema abordado é a conservação da infraestrutura já existente. A carta alerta para o envelhecimento de obras construídas nas últimas décadas e propõe a criação de uma Secretaria de Recuperação de Infraestrutura. O órgão seria responsável por mapear, monitorar e executar ações preventivas em estruturas consideradas estratégicas, como pontes, viadutos, túneis, adutoras e sistemas de abastecimento.

Segundo as entidades, a adesão dos candidatos às propostas será divulgada aos profissionais registrados no Crea-RJ e no CAU-RJ, além da comunidade acadêmica da UFRJ. Juntas, as instituições representam um universo superior a 125 mil profissionais ligados às áreas de engenharia, arquitetura, urbanismo e pesquisa científica.

A iniciativa ocorre em meio ao início da campanha eleitoral e busca inserir temas ligados ao planejamento de longo prazo no centro da discussão sobre o futuro do Estado do Rio.



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