Alvo de operação da PF, ex-secretário estadual dono da cobertura de Cláudio Castro comprou cerca de R$ 9 milhões em imóveis em um intervalo de oito meses

O PT acendeu o alerta para as “traições” do grupo de Eduardo Paes (PSD) à campanha de Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo partido. A turma anda bem satisfeita com as pesquisas e a expectativa de vitória está alta. Mas já identificou que tanto os vereadores ligados ao ex-prefeito do Rio e candidato a governador quanto a rede que Paes criou no interior não estão pedindo votos para ela.

Enquanto Benedita, por sua vez, tem sido “ponta firme” com Paes.

Avaliando pesquisas do fim de agosto e as mais recentes, os petistas fizeram as contas e viram que Benedita aparecia com quase nove pontos de frente há cerca de 15 dias — e, embora siga na liderança, tem agora dois adversários a um ponto e quatro dentro da margem de erro.

Benedita estaria sólida, porém parada — enquanto todo mundo anda.

“E quem não cresce numa eleição de dois votos espera ser alcançado”, disse o ex-vereador de São Gonçalo Romário Régis, recentemente, em postagem nas redes sociais.

A avaliação do desalentado é que o eleitor de Benedita é fiel:

“O que não está vindo é o segundo voto de quem divide palanque com ela”.

Não se empenhar na eleição de Benedita é trair a aliada mais leal, dizem petistas

Dia sim, outro também, a candidata petista ao Senado está em campanha — por Paes. Deputados federais do PT admiram a capacidade de Bené de estar sempre ao lado do ex-prefeito. O desabafo de Régis é considerado voz corrente no partido — embora, como ele mesmo diga, os comentários sejam “em voz baixa, sem citar nomes”.

“É aliada mais leal do palanque: sobe em todo ato, pede voto para a chapa inteira, não cria caso”, afirma.

Mas avaliam que, do outro lado, parte dos prefeitos e deputados dos demais partidos da aliança sequer declara voto para o Senado. Nem nela e, em muitos casos, nem em Pedro Paulo (PSD).

“Cada um cuida do seu acordo local”.

Parceria com o PSOL tem sido mais consistente

Já a atitude do PSOL tem sido muito elogiada.

O partido tem a vereadora Mônica Benício como candidata própria ao Senado — e tem feito uma constante campanha em prol do segundo voto para Benedita.

“Quem não tinha obrigação formal já se moveu; quem tinha, ainda não”, diz Régis.

Não só Benedita tem a perder

A memória, na política, é curta. Em 2010, o então presidente do MDB e candidato ao Senado Jorge Picciani não só não pedia o segundo voto ao companheiro de chapa Lindbergh Farias, do PT, como ainda o atacava por baixo dos panos. Mesmo assim, Lindbergh subiu durante a campanha. Quando percebeu o erro estratégico, Picciani tentou colar sua imagem ao petista na reta final. Era tarde.

Com 4.213.748 votos (28,65% do total), Lindbergh ficou em primeiro lugar e se elegeu com folga. Com 1.165.714 votos a menos, Picciani chegou em terceiro e perdeu a vaga para Marcelo Crivella (Republicanos).

“Benedita é evangélica, da Assembleia de Deus, há décadas, num estado com um dos maiores eleitorados evangélicos do país, hoje disputado quase só pela direita. É um espaço natural de crescimento que nenhuma outra candidatura do campo progressista pode ativar como a dela”, lembra Régis.

O ex-vereador foi o que melhor expressou as preocupações dos petistas nas redes sociais nos últimos dias — mas ele ecoa as vozes de outros filiados ao partido.

“A conta dessa displicência está caindo na candidatura dela: fidelidade sem reciprocidade tem custado caro nas pesquisas”, resumiu.

Por enquanto, a vazão se mede em pesquisas.

Daqui a menos de um mês, em votos.



NOTÍCIA