Antes do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes foi réu por prejuízo de quase R$ 900 mil em fundo de pensão dos ferroviários

Preso desde fevereiro, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes já respondia na Justiça por irregularidades em outro fundo de pensão antes de sua polêmica — e investigada — passagem pelo instituto de previdência dos servidores estaduais.

Em 2022, quando ainda atuava na Secretaria de Transporte (Setram) do estado, Deivis foi réu em uma ação pública movida pela Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer), fundo de pensão dos ferroviários. Os autores da ação alegavam um prejuízo estimado em R$ 898 mil em um acordo celebrado com o escritório Dorini Sociedade Individual de Advocacia.

Deivis e ex-secretário foram acusados de irregularidades em contrato com escritório de advogados

Na época em que foi citado na ação, em 2022, Deivis era assessor-chefe no setor de Logística da Setram. Ele foi nomeado pouco depois da chegada do então secretário André Luiz Nahass à pasta — indicado pelo então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Domingos Brazão, hoje um dos condenados pelo assassinato de Marielle Franco.

Nahass também foi réu na ação da Refer. O fundo dos ferroviários pediu reparação pelos milhares de reais de prejuízo, decorrentes, segundo eles, de irregularidades no contrato assinado em novembro de 2020 com o escritório de advocacia.

Diretor nomeado por Deivis para o Rioprevidência também foi réu na ação da Refer

Outro nome que aparecia com Deivis entre os réus foi o de Alcione Soares Menezes Filho. Mais tarde, após Deivis assumir a presidência do Rioprevidência, Alcione foi nomeado diretor de Administração e Finanças do fundo previdenciário. Os dois réus na ação da Refer estavam no fundo estadual quando os aportes suspeitos para o banco Master aconteceram.

Alcione, inclusive, chegou a sentar na cadeira de presidente. Já após a descoberta do escândalo, no início desse ano, o então diretor assumiu o comando interino da instituição seguindo o regimento interno. Ainda em janeiro ele também foi exonerado do cargo.

O filho de Alcione, Anderson de Mello Menezes, também fez parte do quadro do Rioprevidência. Ele chegou à autarquia antes do pai para um cargo comissionado desde 2023 e, no mesmo ano em que Alcione assumiu a diretoria, foi nomeado para integrar o Comitê de Investimentos. Na época, o Rioprevidência justificou a nomeação dizendo que a função anterior de Anderson já o tornava apto a compor o comitê.

Deivis é investigado pela PF por conta das aplicações feitas pelo Rioprevidência em letras financeiras suspeitas do banco Master. Mesmo sob alerta de risco do Tribunal de Contas do Estado (TCE) a autarquia, sob seu comando, fez partes bilionários na instituição de Daniel Vorcaro. Somando os valores citados em todas as operações da PF, o investimento é estimado em um total de R$ 3,7 bilhões.



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