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Filha da ex-vereadora Verônica Costa, Jeniffer Costa gravou um vídeo defendendo a mãe e divulgou nas redes sociais na tarde desta sexta-feira (25). Verônica foi presa na quinta-feira (24), depois de ter sido condenada por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa. A filha da “Mãe Loira do Funk” começou dizendo que “o abusador virou vítima”, referindo-se a Márcio. Ela pediu que as mulheres “resistam”, classificando a mãe como símbolo da luta feminina e dizendo que a mãe é inocente.

“A minha mãe não é uma bandida”, desabafou.

Verônica Costa apareceu algemada à irmã após ser transferida para o presídio de Benfica
Verônica Costa apareceu algemada à irmã após ser transferida para o presídio de Benfica. Foto: Reprodução de TV

Risco de ser morta enquanto estava casada

Jeniffer disse ainda que Verônica corria risco de morrer enquanto estava no relacionamento.

“Eu quero falar que a minha mãe é o símbolo da resistência das mulheres. Era ela ou era ele. A minha mãe poderia estar morta, eu poderia estar fazendo esse vídeo chorando ou no enterro da minha mãe. E eu quero falar isso para todas vocês, mulheres. Resistam, resistam, porque você acabou de ver que uma mulher foi encontrada morta na mala na França. Toda hora tem uma mulher morrendo, toda hora tem um pai e uma mãe chorando, tem um filho chorando.”, disse.

Avisos da família e denúncias de violência doméstica

A filha ainda disse que Verônica foi avisada sobre não continuar no relacionamento.

“E eu sei que muitas das vezes as pessoas ouvem, não fica com essa pessoa e aconteceu com a minha mãe. A minha avó falou várias vezes, não fica com esse homem, minha filha. A minha mãe estava literalmente apanhando, ele tinha apontado uma arma para a minha mãe, ele tentou tirar a vida da minha mãe.
A minha mãe foi atrás da polícia por ajuda. Se você vir, antes de o abusador ter acusado a minha mãe, a minha mãe já tinha uma queixa contra ele, porque ele tinha uma arma atrás da minha mãe. Então, por mais que, como filha, eu não sei como eu estou fazendo esse vídeo, mas que isso seja de alerta para todas vocês, mulheres. Não fiquem com medo do que está acontecendo com a minha mãe, porque a minha mãe lutaria por todas vocês, minha mãe nunca deixou de lutar. Sempre nos vídeos, sempre fazendo prevenção da violência contra as mulheres. Eu quero que vocês olhem para si, sabe por quê? O que não tem jeito é quando a gente morre, quando a gente não está aqui. Mulheres, não desistam”.

A jovem acrescentou ainda que tem recebido apoio dos parentes neste momento difícil para a família.

“Eu quero agradecer todos os familiares que estão com a minha mãe nesse processo. A minha tia, o meu tio, o meu outro tio. Sabe por quê, gente? Porque a gente precisa da nossa família para nos defender, quando as coisas estão ruins, quando você está sofrendo e você não sabe, quando você está correndo risco de morte”.

Remédios controlados usados para dopar: ‘Ela não conseguia levantar’

Jeniffer acusou Márcio de tentar controlar Verônica administrando remédios controlados durante o tempo em que eles se relacionaram.

“Agora, eu quero falar eu como filha, né? Para vocês, são dez anos agora, mas vocês sabem quantos anos eu não tenho minha mãe? Os 10 anos que a minha mãe estava casada com o marido dela, eu quase não tenho memória da minha mãe. A minha mãe é do médico, ele dava muito remédio para a minha mãe dormir à noite.  Ela tinha muitas vezes, muitas das vezes, falta no trabalho. Ela não conseguia levantar, só ficava deitada por muitos anos, todos os anos que a minha mãe ficou casada com ele. Eu acho que uma das memórias que me marcaram foi quando ela falou assim: ‘Minha filha, vou na piscina com você’. Aí eu falei assim, foi o dia mais feliz da minha vida. E eu fui com a minha mãe na piscina, quando eu era pequena. Esse homem nunca deixava a minha mãe ficar sozinha”.

Vigilância até dentro do consultório médico

A filha de Verônica disse ainda que Márcio era extremamente controlador no relacionamento:

“Para todos que o conheceram, quando ele estava com a minha mãe, ele estava sempre grudado. A minha mãe ia trabalhar, ele estava com ela. A minha mãe ia para o médico, ele tentava entrar no consultório do médico com ela. Eu nunca tive minha mãe sozinha esse tempo todo que ela estava casada com ele. Então, e para muitos de vocês, dez anos. Teve esses dez anos que eu perdi com a minha mãe quando ela estava casada com ele. E teve esses 15 anos praticamente que esse processo está acontecendo. A minha mãe está presa psicologicamente, assim como eu, meu irmão e todos que conhecem ela, os amigos. A gente perdeu muito mais do que dez anos já. A gente perdeu uns 25 anos e agora minha mãe está sendo condenada. Por me defender, eu quero que vocês, mulheres, olhem para ela. Pelo menos ela está viva. Ela está viva, gente. Ela está viva. E ela está respirando. Mulheres, lutem. Familiares, ajudem quem está precisando de ajuda. Não deixe ela sozinha. Essa minha mensagem é para falar que eu não vou desistir de lutar pela minha mãe. Eu tenho muito orgulho da minha mãe. E eu nunca vou abaixar a minha cabeça quando eu andar na rua. Ela é um exemplo para mim. É um exemplo de mulher. Quantas vezes eu estava com ela, as pessoas paravam para agradecer ela. Que ela ajudou ele a sair de um relacionamento tóxico, abusivo. Mulheres, cuidado. Cuidado. Cuidado com vocês. Gente, essa mensagem eu estou falando para vocês, porque eu sei que minha mãe sempre se preocupa muito com o próximo. Então eu estou falando para vocês nesse momento. A minha mãe não é uma bandida. A minha mãe não é uma bandida”.

Transferência para presídio algemada ao lado da irmã

Ainda nesta sexta-feira, Verônica Costa apareceu algemada à irmã, Tatiane Chaves Ribeiro, ao ser transferida da sede Polinter (Delegacia de Polícia de Capturas e Polícia Interestadual) para o Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Verônica foi presa em Petrópolis, após intensas buscas da polícia. Ela foi condenada a 10 anos e oito meses de prisão por torturar o ex-marido, Márcio Costa, sobrinho de Rômulo Costa, dono da Furacão 2000 e ex da “Mãe Loira do Funk”, a ex-vereadora teve esgotados todos os seus recursos na Justiça.

“O agressor está solto e eu estou presa. Eu não mereço estar presa. A Justiça errou comigo. Eu não sou nenhuma bandida. Nunca, vê o meu histórico, eu tenho 36 anos de vida pública”, disse Verônica.

Tatiane Chaves Ribeiro também foi presa por participação no crime. Márcio Costa denunciou, em 2011, que foi atraído a um local que se tornou seu cativeiro, amarrado com cordas e correntes e espancado por Verônica e quatro parentes. Márcio relatou que foram 20 horas de terror, tendo o corpo banhado por combustível, enquanto seus algozes ameaçavam o tempo todo colocar fogo nele. O homem também disse que inseticida foi jogado em seu rosto.

Além de Veronica, foram presos, na quinta-feira (24), Bruno Chaves Ribeiro, irmão de Verônica, Tatiane Chaves Ribeiro, irmã da empresária; e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane e cunhado da funkeira. Um outro parente segue foragido.

A história de Verônica e Márcio já começou conturbada. Ela era casada com Rômulo Costa, que a acusou de tê-lo traído com Márcio em sua própria cama, no início dos anos 2000. Na época, a “Mãe Loira” negou. Tempos depois, porém, apareceu casada com o sobrinho do empresário. E depois de muito tempo deu entrevista dizendo que seduziu Márcio para se vingar de Rômulo, que a teria traído com Priscila Nocetti, na época musa da Furacão 2000.



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