Cavaliere vai ‘desconsiderar’ ação contra fim do dinheiro nos ônibus e afirma que parte do governo e da Alerj tem ‘comportamento de máfia’

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou nesta segunda-feira (25) que vai “desconsiderar” as manifestações do governo do estado contra o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais da capital. Durante coletiva de imprensa, ele também acusou parte da gestão estadual de ter sido tomada por um “comportamento de máfia”, ao comentar investigações envolvendo o Palácio Guanabara.

A mudança no sistema de transporte — que acaba com o pagamento em espécie nos ônibus municipais a partir do próximo sábado — virou alvo de uma ação judicial movida pelo Procon-RJ e pela Secretaria estadual de Defesa do Consumidor (Sedecon).

“O que apontam as investigações, a Polícia Federal e o Ministério Público, é que parte desse governo estadual tenha sido tomada por um comportamento de máfia, que privilegiava o interesse privado”, declarou Cavaliere.

O prefeito também afirmou a Sedecon deveria passar por um processo de “reinstitucionalização” sob a gestão interina do desembargador Ricardo Couto e indicou que não pretende recuar diante da pressão política e judicial.

“As manifestações que a gente viu ao longo da semana passada, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e do órgão que não vou chamar de Defesa do Consumidor, porque praticam outra coisa. Aliás, acho que em breve a Sedecon vai também fazer parte da mudança de reinstitucionalização que tem sido implementada no governo do estado” afirmou.

Ação de secretarias estaduais tenta barrar fim do pagamento em dinheiro nos ônibus

A ação ajuizada pelo Procon-RJ e pela Sedecon tem como alvos a Prefeitura do Rio e a empresa CBD Bilhete Digital S.A., responsável pelo sistema Jaé. Os órgãos pedem que a Justiça suspenda as mudanças previstas no transporte municipal e mantenha a possibilidade de pagamento em dinheiro nos ônibus.

Segundo os órgãos estaduais, o fim do pagamento em espécie pode afetar idosos, trabalhadores informais, pessoas sem acesso à internet, turistas, adolescentes e cidadãos em situação de vulnerabilidade social.

Além da ofensiva judicial, o tema também avançou na Alerj. Um projeto de lei apresentado pelo presidente da casa, Douglas Ruas (PL), pretende obrigar a aceitação de dinheiro em espécie nos meios de transporte público.

Com informações do jornal “O Globo”.



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