dupla de irmãos policiais está por trás das empresas de escolta do Rio Metrópole e do DER-RJ, alvos de investigação por irregularidades

Dois irmãos, Eduardo Alencar e Silva e Marco Alencar e Silva, estão por trás das empresas de segurança armada que prestavam serviços — oficiais ou não — ao Instituto Rio Metrópole (IRM) e ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ). As coincidências são mais do que consanguíneas: a mesma contadora presta serviço para as duas empresas, suspeitas de envolvimento em dois dos maiores escândalos envolvendo órgãos da máquina pública recente no estado do Rio.

Empresa de escolta foi flagrada escoltando IRM extraoficialmente

Eduardo é comissário da Polícia Civil e já figurou oficialmente, até 2023, como sócio da RioForte, que fazia a escolta não oficial do dinheiro desviado do IRM. Segundo as investigações, a empresa era utilizada para realizar a escolta dos valores em espécie sacados das contas do Instituto Rio Metrópole — recursos que, de acordo com o MPRJ, eram provenientes do esquema de desvio.

O contrato da RioForte com o IRM não era direto, mas a empresa de segurança foi flagrada fazendo a escolta de um saque de R$ 3 milhões em espécie de uma agência do Bradesco em Teresópolis, em 9 de janeiro. Segundo as investigações, mesmo com a saída de Eduardo no papel, ele permaneceu comandando a RioForte.

Escolta armada do DER-RJ trabalha sem armas

Por sua vez, Marco, irmão de Eduardo, é policial militar e sócio da Brasvip, empresa de segurança armada que tem contrato firmado com o DER-RJ. O órgão apura internamente o contrato de R$ 14 milhões que deveria suprir agentes armados, mas que, na prática, não funciona assim. Nenhum dos agentes trabalha armado. O armamento encarece o serviço, mas na sede sequer há um cofre para armazenar os equipamentos.

MPRJ ainda não concluiu se vínculo entre as empresas existia

O blog Segredos do Crime, do GLOBO, apurou que a RioForte e a Brasvip têm a mesma contadora. Mesmo assim, o Ministério Público ainda investiga se a relação entre as empresas de segurança vai além dessa “coincidência” e da fraternidade de Marco e Eduardo.

No entanto, a investigação já é uma nova frente da Operação Ouroboros, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), e que investiga as fraudes milionárias do IRM. Inicialmente, a operação investigava uma movimentação de R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026.

Agora, com a devassa feita desde então pela auditoria da Controladoria-Geral do Estado, chefiada pelo presidente interino do Rio Metrópole, o delegado Roberto Leão, esse total já chegou a R$ 150 milhões.

Com informações de Vera Araújo, em “O Globo“.



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