

Uma frase que é costumeiramente repetida por aí, inclusive muito boa para preâmbulos de bons livros, é a do ex-ministro Pedro Malan: “No Brasil, até o passado é incerto”. Sim, vivemos essa incerteza quando olhamos para trás e percebemos que, para a esquerda, em apenas dois momentos “a democracia foi ameaçada”: nas eleições de 2018 (quando a vitória de Bolsonaro nas urnas causou uma enxurrada de livros e filmes sobre a “crise na democracia) e no já famigerado 8 de janeiro.
Mas causa estranheza lembrar episódios diversos em que houve depredação, ataques, ameaças, chantagens mas… tudo era “da democracia”. Por exemplo: no dia 23 de maio de 2017 a manifestação Ocupa Brasília, organizada pela esquerda, levou pelo menos 45 mil militantes de vários estados à Esplanada dos Ministérios (numa demonstração de grande estrutura financeira). Houve depredação de órgãos públicos e tumulto. Segundo reportagem publicada na época da Agência Brasil, “um grupo de aproximadamente 20 pessoas mascaradas começou a jogar pedras nos policiais que formavam um cordão de isolamento próximo ao gramado em frente ao Congresso e incendiou alguns objetos de plástico que estavam no local”.
Não houve “ameaça à democracia” ou “tentativa violenta de abolir o Estado de direito”, apear da quebradeira e da agressão aos representantes do Estado, os policiais. Não há notícia de uma só pessoa presa por esse ato.Em 6 de junho de 2006, o Movimento pela Libertação dos Sem-Terra (MLST) – seja lá o que fosse isso – invadiu e depredou a Câmara dos Deputados em Brasília. Um integrante da segurança da Câmara, Normando Fernandes, foi para a UTI com afundamento craniano frontal esquerdo e edema cerebral. Mais 24 pessoas ficaram feridas, segundo reportagem do Estado de S. Paulo. Apesar de Normando ter levado meses para se recuperar, ninguém achou que a democracia tivesse se machucado.
No ano em que as manifestações ficaram na moda, houve algumas invasões notórias: em 22 de setembro de 2013, de madrugada, os manifestantes de esquerda invadiram o Palácio Guanabara, sede do governo do nosso estado, chegaram a arrombar uma das portas e invadir o Salão Nobre, que fica no segundo andar do prédio. Um mês antes, dezenas de manifestantes tinham tentado depredar o mesmo local, sendo contidos, no entanto, pela PM. Naquele mesmo ano, todos lembram, a Câmara dos Vereadores e a Alerj foram atacadas a pedras, sem que os protestos tivessem nenhuma reivindicação clara – era apenas a rebeldia esquerdista de sempre. A Câmara inclusive chegou a ser ocupada por manifestantes, que depredaram cadeiras e mesas do plenário. Mas pelo que dizem, a democracia ficou intacta.
Em 12 de fevereiro de 2014, pasme, o Movimento dos Sem-Terra tentou invadir…o Supremo Tribunal Federal. Com gritos e palavras de ordem contra os ministros, feriram vários policiais a pedradas e quebraram vidraças – mais de 20 mil manifestantes. Segundo reportagem da Agência France Press, 12 policiais foram feridos. Mas pelo jeito as pedradas do MST que atingiram as vidraças do STF passaram bem longe das clarabóias da democracia.
Por fim, vejam que curioso: a deputada federal Érika Hilton mantém desde 2023 em seus quadros um assessor que está sendo investigado pela PF por pichar um ministério em Brasília! Logo a deputada Érika, que tão frequentemente fala em “golpe”, “ameaça à democracia” e vive pedindo a prisão de supostos “golpistas”. Mas aí fico pensando: será que o problema é o material utilizado? Seu assessor deve ter usado um spray para pichar, e talvez haja uma maior tolerância nesse caso do que, por exemplo, quando é usado um batom.
Bingo! Entendi agora por que o MST e demais esquerdistas depredam, quebram, ameaçam, ferem pessoas mas nunca são vistos como “ameaça à democracia”: eles não usam batom. Claro, tem uns que usam faca, mas batom não. Tá certo! Viva a Democracia! Viva o Amor!
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