A ex-vereadora Verônica Costa, conhecida como “Mãe Loira do funk”, passa por uma audiência de custódia na tarde deste sábado (26), no presídio de Benfica, Zona Norte do Rio.
Ela foi presa na noite de quinta-feira (24), em Araras, distrito de Petrópolis, após passar o dia sendo procurada pela Polícia Civil.
Condenada a 10 anos e 8 meses de prisão por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa, ela teve a prisão decretada depois do fim dos recursos do processo.
Segundo a Polícia Civil, Verônica trocou de carro quatro vezes durante o deslocamento até Petrópolis para tentar despistar os agentes.
Além dela, também foram presos o irmão, Bruno Chaves Ribeiro, a irmã, Tatiane Chaves Ribeiro, e o cunhado, Bruno Marcelo Bahia Marques. Os quatro foram condenados pelo mesmo caso.
Crime teria ocorrido há 15 anos
O caso aconteceu em 2011 e veio à tona depois que Márcio denunciou as agressões à polícia. Segundo o relato apresentado na época, ele teria sido amarrado no banheiro, com os pés e as mãos presos por correntes, cadeado e corda.
Também teria sido vendado, amordaçado e atingido no rosto por inseticida. Márcio afirmou ainda que sofreu agressões físicas, ameaças e teve um produto químico jogado sobre o corpo, sob ameaça de ser incendiado.
A investigação apontou a participação de Verônica e de quatro parentes. A ex-vereadora sempre negou ter torturado o ex-marido e apresentou outra versão para o episódio. Na época, acusou Márcio de usar drogas, invadir sua residência e levar objetos.
Verônica foi condenada a 10 anos e 8 meses de prisão em regime fechado. Com o trânsito em julgado, a Justiça determinou o início do cumprimento da pena.
Nova defesa pede revisão da condenação
Depois da prisão, Verônica trocou de defesa. A advogada criminalista Maíra Fernandes, que passou a representar a ex-vereadora, protocolou na sexta-feira (25) um pedido de revisão criminal no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ).
A defesa sustenta que a condenação não considerou o histórico de violência doméstica relatado por Verônica antes do episódio de 2011. O principal argumento é um boletim de ocorrência registrado por ela em 2010, quando ainda era casada com Márcio.
No documento, Verônica relatou agressões físicas e psicológicas, ameaças com arma de fogo e um episódio em que, segundo ela, o então marido teria feito uma roleta-russa apontando a arma para sua cabeça. Ela também afirmou que ele havia retirado dinheiro destinado à sua campanha eleitoral.
Na ocasião, Verônica procurou uma delegacia e pediu uma medida protetiva de urgência. Segundo os documentos apresentados pela nova defesa, o pedido foi negado. A advogada afirma que, meses depois, a ex-vereadora voltou a ser agredida e roubada pelo ex-marido.
Para a defesa, esse histórico deve ser considerado na análise do episódio que resultou na condenação. A advogada afirma que a intenção não é justificar a violência praticada pelos familiares, mas contextualizar o conflito e a ausência, à época, de mecanismos de proteção semelhantes aos disponíveis atualmente.
Enquanto a revisão criminal é analisada, Verônica permanece presa e deve prestar esclarecimentos na audiência de custódia deste sábado.
Com informações do jornal “O Globo”.
