Fábio Silva é o terceiro vereador do Rio preso neste ano; relembre os casos

Com a prisão de Fábio Silva (Podemos) pela Polícia Federal nesta segunda-feira (19), a Câmara do Rio chega a três vereadores detidos em operações policiais em 2026. Além dele, Jorge Canella (União Brasil) e Salvino Oliveira (PSD) também foram presos neste ano, em investigações com motivações e resultados distintos. Ambos estão soltos.

Dos três casos, o de Salvino é o único em que a Justiça já determinou o encerramento da investigação. Os outros dois seguem com as apurações e possíveis desdobramentos em aberto.

Operação da PF mira monopólio de internet imposto pelo tráfico

O vereador Fábio Silva, assim como Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão, respectivamente, do rapper Oruam, foram presos pela PF na manhã desta segunda durante a Operação Backbone. O parlamentar foi detido em Londrina, no Paraná.

A ação busca desarticular uma estrutura ligada ao Comando Vermelho que, segundo as investigações, utiliza armas e ameaças para impor o monopólio do fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense.

Fábio Silva é apontado pelos investigadores como proprietário e beneficiário de provedores de internet ligados ao esquema da facção, em que também se apura a suspeita de lavagem de dinheiro. O vereador nega as acusações, e sua defesa afirma que ainda não teve acesso aos autos do processo.

Motivos diferentes para cada prisão

Jorge Canella foi preso em flagrante em 22 de setembro, também pela Polícia Federal, mas durante a sétima fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, agentes encontraram dois fuzis e uma submetralhadora de uso restrito na residência do vereador, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio.

O parlamentar foi solto na noite de 14 de outubro, após a Justiça expedir um mandado de soltura. A defesa alegou que as armas eram legalizadas e que a questão envolvia uma divergência no endereço de registro dos armamentos, atribuída a uma mudança de residência. O caso ainda é investigado.

Já Salvino Oliveira foi preso pela Polícia Civil em 11 de março, e solto dois dias depois, decorrente de uma investigação por uma suposta ligação com o Comando Vermelho. A apuração se baseava, entre outros elementos, em mensagens que indicariam uma possível autorização de lideranças do tráfico para que o vereador atuasse politicamente na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Sudoeste, e recebesse apoio para seus projetos.

Pouco depois, a Justiça determinou o trancamento do inquérito por falta de justa causa. O juiz apontou ausência de elementos concretos que indicassem a prática de crime pelo parlamentar e criticou a condução da investigação, mencionando possíveis irregularidades e indícios de perseguição política.

Suplente tentou cassar mandato de Fábio Silva na Justiça Eleitoral

Em dezembro de 2024, o suplente de Fábio Silva na Câmara do Rio, Professor Marcelo Martins, também do Podemos, entrou com Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Silva alegando que o correligionário cometeu captação ilícita de votos.

Na petição, o suplente afirmava que o vereador eleito tem sua base eleitoral na região do Complexo do Chapadão, local conflagrado pela atuação de facções criminosas. Além disso, afirmam que, antes do período eleitoral, Silva teria organizado inúmeras ações sociais.

A ação foi suspensa em janeiro de 2025 pelo desembargador Rafael Estrela, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). Na época, o desembargador alegou que uma decisão de primeira instância, indeferindo uma prova oral, “violava os princípios do contraditório e da ampla defesa”.



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