O cantor JonJon, filho da ex-vereadora Verônica Costa, que está presa, fez um pronunciamento uma semana depois de a mãe ter sido encontrada pela polícia em Petrópolis. No vídeo, publicado na conta de sua irmã, Jeniffer Costa, ele disse que esteve presente em vários momentos terríveis vividos pela mãe ao lado de Márcio Costa, ex da “Mãe Loira do Funk”.
Foi exatamente Márcio quem denunciou, em 2011, ter sido torturado pela ex-vereadora e mais quatro parentes. Verônica foi sentenciada a dez anos e oito meses de prisão pelo crime.

“Esse aqui é um dos vídeos mais difíceis da minha vida. São quatro dias sem ouvir a voz dela. São quatro dias sem olhar pra ela. São quatro dias sem receber a benção dela. Hoje, eu como adulto, é uma ferida que dói. Porque quando a gente passou por isso, eu era uma criança, um pré-adolescente. Tudo que a gente viveu naquela época, eu não entendia. Eu me pergunto até hoje o que mais eu poderia fazer, como eu poderia ajudar. Mas no final, a criança, o filho que vive nesse convívio, também sofre, também é usado como ferramenta pra ferir a pessoa”.
Carro a mais de 200 km/h com crianças dentro
JonJon, que antes tinha usava seu nome de batismo, Jonathan Costa, como identidade artística, deu detalhes do que presenciou durante o relacionamento da mãe com Márcio.
“Eu não entendia quando colocavam a gente no carro, e esse agressor acelerava mais de 200 km por hora na Avenida das Américas, com um som alto, minha mãe gritando. A gente não entendia o que estava acontecendo. Na verdade, ele estava agredindo minha mãe. Não basta já os anos, onde minha mãe deixou de participar de muita coisa, até da minha vida. Muitos momentos da minha adolescência, da minha infância, onde minha mãe foi impossibilitada de estar com a gente, ou porque estava numa cama e eu achava que ela estava cansada? Ou então porque, do nada, meus tios eram proibidos de visitar a minha casa. Porque, de repente, alguns amigos da minha mãe, que cresceram com ela, eram proibidos, eram pessoas que não valiam nada”.
Tentativa de controle e parentes sendo afastados
JonJon disse que na época não percebia o que considera um padrão de controle e tentativa de isolar Verônica por parte de Márcio.
“Só que hoje, mais adulto, eu consigo entender que não era normal. Começou com o afastamento dos familiares, depois com os amigos próximos, depois com uma coisa velada, onde todo momento fazia uma sacanagem e no outro dia falava que ia mudar, que ia melhorar. Já não tinha quem cuidasse dela. Na verdade, ela voltava pra casa e era mais agredida de todas as formas, psicologicamente, de todas as maneiras. Tamanha crueldade, tamanha crueldade. Ela pediu uma medida protetiva, não foi atendida. Hoje, existem pessoas que pedem, mulheres que pedem, que gritam, pedem sua medida protetiva e mesmo assim não adianta. Imagina naquela época já sendo negada.
‘Eu juro que vou lutar até o fim da minha vida’
O cantor diz que não vai desistir de ajudar a mãe:
“Eu juro pra vocês que eu vou lutar até o fim da minha vida atrás de todas essas respostas. Mãe é sagrado. E eu tenho certeza, tudo que está acontecendo contra a minha mãe hoje não é só um ataque pessoal a ela, não é só um ataque à reputação dela. É um ataque a tudo que minha mãe representa. Uma mulher forte, independente, que veio do nada, que construiu, que cuidou, que zelou pelo próximo, que muitos que nem sabiam que precisavam, quando gritavam, lá estava ela. Por quê? Porque ela sabe a voz de não ser ouvida. Ela sabe o sentimento de ser excluída, de ser esculachada. Isso não é um ataque só à minha mãe. Isso é um ataque a todas as mulheres, a todas as pessoas que vieram do nada. Eu sei que isso que está acontecendo é porque ela é funkeira, porque ela é uma das poucas mulheres na política aonde faz o certo, luta como uma leoa pelo próximo”.
Verônica está presa no presídio de Benfica, para onde foi transferida com a irmã, Tatiane Chaves Ribeiro. Outros dois parentes da “Mãe Loira do Funk” estão presos. Um segue foragido.
Márcio Costa disse que ter passado 20 horas de terror sendo torturado por Verônica e seus parentes. Ele contou que foi acorrentado, surrado, banhado com um líquido combustível e que até inseticida foi jogado em seu rosto.

