Durante discurso na cerimônia de retomada das operações do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adotou um tom elogioso e político ao falar sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em meio a uma plateia formada por autoridades, lideranças locais e representantes do setor produtivo, Haddad fez um balanço da economia e associou diretamente a figura do presidente a um momento de maior confiança no país.
“Lula traz uma estabilidade para o país, até emocional, pela maneira como ele trata o povo, pela maneira como respeita as pessoas”, declarou o ministro, ao defender que a credibilidade institucional e o diálogo entre os poderes são fatores centrais para a retomada dos investimentos.
O discurso veio na esteira da fala anterior do ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), que havia criticado diretamente o governador Jorginho Mello (PL) por suposta “ingratidão” com Lula. Diferente de Costa Filho, Haddad evitou ataques, mas ressaltou que o Brasil passou anos em clima de instabilidade política, o que teria afastado investidores e comprometido o crescimento.
Clima político interfere nos negócios, diz ministro
Segundo Haddad, o país viveu um ciclo de desconfiança entre os setores produtivos e o poder público. “O Brasil ficou muito tempo sem investir, por confusão política, por falta de credibilidade dos governos”, afirmou. Para ele, a percepção de que há hoje diálogo entre os poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — tem sido decisiva para destravar investimentos e atrair capital.
O ministro citou a Petrobras como exemplo. A estatal, de acordo com ele, deve investir R$ 7 bilhões em projetos de longo prazo no país. “O empresário que pensa no longo prazo não olha para o juro alto de hoje, mas para a taxa de retorno futura. E a verdade é que o Brasil tem uma carteira de projetos com alta taxa de retorno”, argumentou.
“Respeito institucional abre portas”
Haddad também destacou o estilo pessoal de Lula no trato com lideranças políticas, mesmo de ideologias opostas. “Eu já vi inúmeras vezes um governador ou prefeito fazer uma desfeita e ser recebido de braços abertos em Brasília”, contou o ministro, ao afirmar que Lula separa divergências partidárias do compromisso institucional com os eleitos.
A fala ocorre em um contexto de atrito velado entre o governo federal e o governo de Santa Catarina. Jorginho Mello não participou do evento em Itajaí, alegando compromisso oficial no Oeste do estado. A ausência gerou reações do próprio governo, principalmente pela entrega de um pacote de investimentos de R$ 844 milhões para o Porto de Itajaí e por outras obras em andamento no estado.
Equilíbrio e confiança como base de retomada
Encerrando sua fala, Haddad defendeu que o Brasil vive um momento favorável para investir justamente porque há um ambiente de maior previsibilidade e diálogo institucional. “Se os poderes não conversam entre si, as coisas vão mal. Mas quando as pessoas estão na mesa, buscando caminhos para o país, os investidores percebem”, concluiu.

