Moraes vota por manter preso ex-secretário de Castro acusado de ligação com o Comando Vermelho 

Segundo a PF, Carracena integrava o núcleo político da organização criminosa ligada ao Comando Vermelho

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) votou, em julgamento virtual na Primeira Turma, para que continue preso o advogado Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário municipal de Ordem Pública do Rio na gestão de Marcelo Crivella; ex-subsecretário estadual de Defesa do Consumidor e ex-secretário estadual de Esportes no governo Cláudio Castro. Ele é acusado de receber propina do Comando Vermelho (CV).

Moraes defendeu que o advogado, preso desde setembro de 2025, siga na prisão. Ele foi alvo das recentes operações Zargun e Anomalia — que também levaram à prisão do ex-deputado estadual TH Joias e que apuraram relações políticas da facção e tráfico de influência.

Segundo a Polícia Federal, Carracena integrava o núcleo político da organização criminosa ligada ao Comando Vermelho e repassava informações privilegiadas sobre operações policiais em áreas comandadas pela facção.

Ainda segundo as investigações, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, apontado como um dos chefes do CV, mantinha contato direto com o advogado.

Pedido da defesa de Carracena

O voto de Moraes foi dado no julgamento virtual de um pedido da defesa de Carracena. Além da liberdade do ex-secretário, os advogados querem que sejam consideradas ilícitas provas encontradas pelas investigações no celular do advogado. A alegação aponta que os dados foram extraídos do aparelho sem o acompanhamento de representantes da OAB e dos advogados de defesa.

Moraes, porém, afastou a alegação de que teria havido violação da cadeia de custódia das provas. Segundo o ministro, não existem “quaisquer indícios ou evidências concretas” que sustentem essa possibilidade. Ele também descartou a hipótese de que o sigilo das comunicações profissionais de Alessandro Carracena, na condição de advogado, tenha sido comprometido.

Além de rejeitar o recurso da defesa de Carracena, o ministro do STF votou por negar pedidos de outros investigados na Operação Anomalia. O ministro defendeu que se mantenham as prisões do policial militar Flávio Cosme Menezes Pereira e que Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, ex-assessor parlamentar, continue detido em uma penitenciária federal.

Ainda participarão do julgamento os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

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