Em visita a São Gonçalo para um encontro com líderes dos partidos de sua aliança, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes falou para um Clube Mauá lotado de militantes, prefeitos e políticos da região. Mas o que tinha tudo para ser um evento com caráter de articulação regional, acabou ganhando contornos políticos mais intensos diante do tom adotado pelo pré-candidato ao governo do estado em seu discurso.
Além de críticas ao governo de Cláudio Castro, Paes também direcionou ataques direto ao adversário Douglas Ruas, algo pouco comum em agendas públicas do político. O ex-prefeito havia escolhido Castro como antagonista, não Douglas. Mas a proximidade do início da campanha parece estar mudando o foco.
Diante da grande plateia e de políticos apoiadores — como o de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), de Maricá, Washington Quaquá (PT), de Areal, Gutinho (PP), e o de Três Rios, Jonas Dico (Podemos) — o clima no palanque reforçou o peso do encontro no tabuleiro político do estado.
‘Estamos sendo governados por um desembargador que não foi eleito’
Durante seu discurso, Paes direcionou ataques a Douglas Ruas (PL), atual presidente da Alerj — coisa que não costumava fazer, pelo menos de forma direta:
“Não era secretário das Cidades, era secretário de uma cidade”, afirmou.
Ele também voltou seu discurso articulado contra o governo do estado na gestão de Cláudio Castro, que renunciou ao cargo na véspera da retomada do julgamento do caso Ceperj no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e garantiu que o candidato do PL para as eleições de outubro não seria Douglas Ruas, e sim Rodrigo Bacellar (União) — preso pela Polícia Federal.
“Gente, não é normal o que a gente está vivendo nesse momento. Todo mundo aqui é democrata, todo mundo acredita em eleição, todo mundo aqui disputa eleição, todo mundo aqui escolhe o candidato. E nós estamos sendo governados por um desembargador que não foi eleito. Essa crise político-institucional que a gente vive, ela é a mãe de todas as crises. Por quê que não é o presidente da Alerj hoje para governador do estado? Por um motivo simples: porque foi preso por ligações com o Comando Vermelho. Com nome e sobrenome, Rodrigo Bacellar, o candidato do senhor Claudio Castro, o candidato do PL no Rio de Janeiro, o candidato do senhor Douglas Ruas, do Altineu. Não ia ser o Douglas, ia ser Rodrigo Bacellar”, disse.
‘Tudo tchutchucha do Comando Vermelho’
Paes também voltou a fazer duros ataques a políticos que, segundo ele, agem como “tchutchucas do Comando Vermelho” e citou a prisão do deputado Thiago Rangel (Avante) e o esquema ligado à Secretaria de Estado de Educação.
“Agora vou fazer uma frase de efeito: tudo tchutchucha do Comando Vermelho. É isso que eles são. Estavam lá apoiando um candidato a governador que foi e permanece preso por ligações com o Comando Vermelho. Mas não bastou isso não, três meses depois prenderam outro deputado na base dessa gente que tomava conta da educação do Norte e do Noroeste fluminense. E ele foi preso não só porque estava roubando,mas porque também trocava a “zap” com o chefe do tráfico de drogas e do Comando Vermelho em Campos dos Goytacazes. E dava emprego na Secretaria de Educação do estado, onde nossos filhos são educados”, destacou Paes.
