Ao comentar as operações policiais que atingiram aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL) nos últimos meses, o pré-candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD) afirmou que as investigações tiveram origem em denúncias feitas por sua gestão na Prefeitura do Rio.
Em vídeo publicado nas redes sociais neste sábado (20), o ex-prefeito sustentou que os casos envolvendo organizações criminosas foram comunicados às autoridades por integrantes de sua administração.
“Todas as operações que vêm acontecendo vêm de denúncias da minha gestão na prefeitura”, declarou.
Segundo Paes, os registros envolveram situações relacionadas a comércio irregular, milícias e atuação de organizações criminosas em áreas da cidade.
E o ex-prefeito afirmou que parte desses casos só teve desdobramento posterior — atribuindo o avanço das investigações ao enfraquecimento do grupo político de Castro. “A represa só estourou quando essa turma começou a perder o poder”, disse. “Não é coincidência. É consequência da mudança do governador”, completou.
Ao longo da gravação, ele apresenta exemplos que, segundo ele, foram levados pela prefeitura à Polícia Civil e ao Ministério Público e resultaram em investigações.
Caso dos quiosques da prefeitura na Gardênia Azul seria conectado à TH Joias, diz Paes
Um dos episódios citados por Paes envolve a Gardênia Azul, na Zona Oeste. Segundo ele, quiosques regularizados pela Prefeitura do Rio foram fechados por uma “ordem ilegal” que teria partido de uma associação de moradores ligada ao então deputado estadual TH Joias.
“Do nada fecharam os quiosques, ordem ilegal, que obviamente não veio da prefeitura, veio de uma associação de moradores ligada a um deputado estadual, o TH Joias”, afirmou.
Paes disse que determinou a apuração do caso e o encaminhamento às autoridades e que, por conta de diversas denúncias, “hoje ele está preso, acusado de fazer intermediação de compra e venda de armas para o Comando Vermelho”
Em seguida, o ex-prefeito afirmou que o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União) teria “protegido” TH Joias — e sido preso por isso.
A alfinetada chegou ao seu rival na pré-campanha pelo governo do estado, Douglas Ruas (PL), que aparece no vídeo declarando seu futuro voto em Bacellar para o cargo.
Paes cita Complexo de Israel e áudio de ex-vereador enviado ao secretário de Ordem Pública
Paes também citou o Complexo de Israel, na Zona Norte, ao relatar uma apuração sobre suposta interferência de facções em eventos religiosos na comunidade.
Segundo ele, o secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, foi acionado para verificar denúncias de que festas juninas e atividades de igrejas estariam sendo impedidas na região.
“Um vereador, com áudio supostamente do Peixão, para tentar dizer que estava tudo certo. Um vereador levando recado de facção”, afirmou.
O caso citado por Paes tem relação com o inquérito do Ministério Público (MPRJ) que investiga a atuação do ex-vereador Ulisses Marins (PSD) e seus possíveis vínculos com o Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo a investigação, Ulisses teria encaminhado ao então secretário Brenno Carnevale um áudio atribuído ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, no qual ele nega a proibição de festas juninas no Complexo de Israel.
Paes acusa grupo político de Castro de blindagem e fala em ‘estrutura contaminada’
Na parte final da gravação, Paes ampliou suas críticas ao grupo político ligado a Castro ao afirmar que “quem politizou a polícia e se cercou dessa turma virou sócio do crime”.
Ele também defendeu autonomia das forças de segurança: “a polícia não vai estar a serviço de político nenhum. Segurança pública vai ser política de estado, não moeda de troca”.
Segundo Paes, outras denúncias que teriam sido feitas pela prefeitura ficaram sem andamento ao longo dos últimos anos. Porém, que novos desdobramentos ainda podem ocorrer.
“Com a polícia livre da política, eu tenho certeza: elas (denúncias) vão virar ação concreta”, concluiu.
