Petrópolis mantém 285 contratações de autônomos na Educação, mesmo após multa diária e promessa da prefeitura

Fachada da Prefeitura de Petrópolis

A promessa da Prefeitura de Petrópolis era acabar com as contratações por Recibo de Pagamento Autônomo (RPA) na Educação, mas a realidade, segundo os servidores, é outra: o modelo continua presente nas escolas municipais. Dados do quadrimestre da pasta, apresentados à Câmara do município na última quinta-feira (24), mostram que 285 profissionais ainda atuavam como RPA na rede.

A manutenção dos contratos ocorre mesmo após o prefeito Hingo Hammes (PP) afirmar à Justiça que não faria novas contratações nesse modelo. A declaração foi dada em agosto de 2025, durante uma audiência em que o Ministério Público informou que uma multa diária de R$ 1 mil, prevista para o caso de descumprimento da decisão da Justiça que determinava o fim desse tipo de vínculo, já estava sendo aplicada desde 18 de junho daquele ano.

O número de contratos, porém, já foi maior. Em fevereiro, eram 354 profissionais contratados nesse modelo. Em abril, o total chegou a 423 e começou a cair nos meses seguintes.

Prefeitura chegou a informar que tinha zerado os contratos

Em janeiro deste ano, a prefeitura havia informado à Justiça que tinha encerrado os contratos na Educação em dezembro. No mês seguinte, no retorno às aulas, no entanto, 354 profissionais apareceram novamente na rede.

Em julho de 2023, a Justiça já havia dado 18 meses para Petrópolis encerrar as contratações por RPA na Educação. Mas, após a audiência de agosto de 2025, o município ganhou mais 60 dias para apresentar um plano para acabar com os contratos nas áreas de Saúde, Educação e Assistência Social. Foi nesse contexto que o município informou ter zerado os contratos na rede de ensino.

Justiça determinou criação de lei para barrar os RPAs

A Prefeitura de Petrópolis também havia informado que fazia uma força-tarefa para substituir os temporários por servidores aprovados em concursos.

Uma decisão da 4ª Vara Cível determinou que a Câmara de Petrópolis editasse uma lei proibindo esse tipo de contratação no município. A prefeitura chegou a enviar à Justiça uma minuta de projeto de lei, mas não informou o andamento da proposta.

O que diz a Prefeitura de Petrópolis

A Prefeitura de Petrópolis informou que vem adotando medidas para substituir as contratações por RPA na rede municipal de Educação por profissionais aprovados em concurso público. Confira a nota:
“Desde o início de 2025, mais de 1.600 professores foram convocados. As chamadas fazem parte desse processo de substituição e devem continuar até o encerramento da validade do concurso, previsto para dezembro deste ano. Vale ressaltar que, ao longo do período letivo, a rede registra desligamentos, licenças e outros afastamentos, o que gera a necessidade de recomposição do quadro para garantir o funcionamento das unidades e a continuidade das aulas.
Essas situações explicam a manutenção de vínculos por RPA em determinados momentos do ano. Outro ponto que vale destaque é que em dezembro, os contratos nessa modalidade são encerrados. Em janeiro, durante o período de férias escolares, não são realizadas novas contratações”, diz a nota.

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