PF encontra ‘santinhos’ de Márcio Canella na casa de filho de Marcinho VP durante operação contra esquema do CV

ATUALIZAÇÃO, às 9h30, com nota oficial da Imperatriz Leopoldinense negando que tenha pedido título de eleitor no recadastramento. A íntegra está ao fim da reportagem.

A política entrou de vez no samba. E, desta vez, não foi pela avenida.

A eleição presidencial rachou até a cúpula da Liga Independente das Escolas de Samba, a Liesa, entidade que comanda o maior espetáculo do carnaval carioca. De um lado, Evelyn Bastos, eterna rainha de bateria da Mangueira e diretora Cultural da Liga, não esconde o voto em Lula (PT). Do outro, Cátia Drumond, presidente da Imperatriz Leopoldinense e diretora Financeira da Liesa, prefere o meio-termo que não combina com lantejoulas, lamê e paetês.

Mas, até aí, democracia. Cada um com seu voto, seu samba e sua fantasia.

O problema é que a política não parou na mesa de decisões da Liesa.

Cátia é mãe de João Drumond, candidato a deputado estadual pelo PRD que recebeu 55.759 votos no domingo (4). Foi uma das maiores votações nominais para a Assembleia Legislativa, mas a candidatura está sub judice e o destino dos votos ainda depende da Justiça Eleitoral.

Durante a campanha, justamente pelo envolvimento do filho na disputa, Cátia tentou convencer a Liesa a adotar uma espécie de neutralidade eleitoral. A ideia era evitar que manifestações políticas de integrantes do mundo do samba — tradicionalmente alinhados à esquerda — acabassem respingando na candidatura de João.

Não funcionou.

No carnaval, onde os tons neutros nunca combinaram com alegorias e adereços, muita gente preferiu deixar clara a própria posição. Não foram poucos, nem pouco representativos. Dá para dizer que quase todo mundo declarou voto. E na esquerda.

Leandro Vieira, Selminha Sorriso, Edson Pereira, Tarcísio Zanon, Neguinho da Beija-Flor, Guanayra Firmino e praticamente toda a diretoria da Portela estão entre os nomes que fizeram manifestações favoráveis a Lula.

A tentativa de enquadrar o samba numa moldura politica, portanto, não passou da concentração.

Mas dentro dos muros da quadra da Imperatriz…

Mas é na própria Imperatriz que a mistura de carnaval, política e eleição vem produzindo as coreografias mais delicadas.

Cria do Complexo do Alemão, onde mantém uma escola de lutas para os jovens da favela, Maria Mariá ocupou por três carnavais o posto de rainha da Swing da Leopoldina. Estava à frente da bateria justamente em 2023, quando a Imperatriz voltou a ser campeã depois de 22 anos, com “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”, de Leandro Vieira.

Maria deixou a coroa antes do carnaval de 2026. Na ocasião, a própria Imperatriz anunciou sua saída do posto com elogios e informou que ela permaneceria na escola.

De lá para cá, porém, a relação azedou.

Segundo relatos de integrantes da Imperatriz, depois que se recusou a participar de um evento de campanha de João Drumond no Complexo do Alemão, Maria Mariá passou a ser impedida de frequentar a quadra. A moça sequer entrou na final da disputa de samba-enredo.

E não seria um caso isolado.

Integrantes da harmonia, alguns com décadas de serviços prestados à escola, também estariam sendo afastados por defenderem votos em candidatos da esquerda.

Título de eleitor, exigência para o recadastramento? A escola nega

Em maio, a mais famosa escola da Leopoldina promoveu o recadastramento dos componentes que desfilaram em 2026, devolveram suas fantasias e pretendiam voltar à Sapucaí em 2027.

De acordo com mensagens de convocações que circularam na época, além de identidade, CPF e comprovante de residência, teria havido uma exigência bastante incomum para quem pretendia atravessar a Avenida fantasiado: título de eleitor.

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A escola nega

A Imperatriz, no entanto, enviou nota negando a informação. Ela afirma que nem tem canal oficial via aplicativo de mensagens.

“A Imperatriz Leopoldinense esclarece que não solicita, e nunca solicitou, título de eleitor de seus componentes como requisito para recadastramento ou participação nos desfiles. O procedimento de recadastramento é realizado mediante apresentação da carteira de componente daqueles que já integram a escola e desfilaram anteriormente”, diz a nota. “Portanto, a informação de que a agremiação teria exigido título de eleitor durante esse processo não corresponde à realidade. A Imperatriz Leopoldinense reafirma seu compromisso com a transparência e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos”.

No mundo do samba, não há registros de o documento eleitoral fazer parte do figurino burocrático exigido para desfilar.

 



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