O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 26 de agosto o retorno do julgamento sobre a eleição para governador do Rio de Janeiro. Na última terça-feira (30), Flávio Dino – que havia suspendido a votação no dia 9 de abril, com pedido de vista — devolveu os autos para a secretaria do tribunal.
Até o momento da interrupção, o placar na Suprema Corte estava em 4 a 1 (André Mendonça antecipou o seu voto) a favor da realização de eleições indiretas, e secretas, para o governo do estado.
Ação foi movida pelo PSD
No centro dos debates estão a forma como deve ser escolhido o governador que assumirá o chamado “mandato-tampão” do Rio de Janeiro. O PSD contesta uma decisão anterior do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e defende que a escolha ocorra por meio de eleições diretas (com voto popular). A decisão original do TSE, por sua vez, determinava que o pleito fosse indireto, conduzido apenas pelos deputados estaduais, com eleição secreta na Assembleia Legislativa (Alerj).
A crise institucional se arrasta desde o dia 23 de março, quando o então governador Cláudio Castro (PL) foi condenado à inelegibilidade pelo TSE. Em uma tentativa de antecipar-se aos desdobramentos da condenação e forçar legalmente a necessidade de um pleito indireto, Castro renunciou ao mandato no dia anterior — medida classificada pelo PSD nas ações como uma “manobra política”.
Linha sucessória desmantelada
A renúncia de Castro deixou o Rio sem governador porque a linha sucessória oficial estava completamente desfalcada. O vice-governador eleito, Thiago Pampolha, já havia deixado o cargo, em 2025, para assumir uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE). O presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar, está preso sob a acusação de envolvimento com o Comando Vermelho. Além disso, Bacellar também foi cassado na mesma decisão do TSE que condenou Cláudio Castro.
Atualmente, o deputado Douglas Ruas (PL) preside a Alerj — ele foi eleito em abril. Apesar de articulações de aliados para que Ruas assumisse o comando do Palácio Guanabara, o STF firmou o entendimento de que a chefia do Executivo estadual deve permanecer provisoriamente sob o comando do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), até que o plenário da Corte dê a palavra final.
