O deputado estadual Alan Lopes (PL) propôs, durante a sessão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) desta quarta-feira (07), que a Casa apresente um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para suspender os efeitos da publicação do governo do estado que abriu um crédito suplementar de R$ 462,8 milhões para o Tribunal de Justiça (TJRJ).
A sugestão foi feita um dia depois do parlamentar cobrar explicações sobre a destinação dos recursos.
“Eu acho que nós deveríamos fazer um PDL sustando o decreto que enviou esses meio bilhão de reais para o TJ, assinado pelos 70 deputados. Para dar uma resposta de que nós somos um poder forte e coeso”, afirmou.
Crédito de R$ 462,8 milhões ao Tribunal de Justiça não foi justificado
O crédito foi autorizado pelo governador em exercício Ricardo Couto por meio do decreto nº 50.480, em 18 de setembro. Os recursos, que são “provenientes de excesso de arrecadação”, foram destinados à rubrica “Pessoal e Encargos Sociais – TJ”.
O governo justificou o reforço no orçamento do tribunal dizendo que a arrecadação do estado cresceu ao longo do ano. Segundo a gestão estadual, a Receita Corrente Líquida (RCL), que estava estimada em R$ 91,8 bilhões no fim de 2025, já havia passado de R$ 100 bilhões em meados deste ano. A previsão é que a arrecadação chegue a mais de R$ 114 bilhões até dezembro.
A justificativa, porém, não explica por que o dinheiro foi necessário. O governo não informou qual despesa fez a previsão original para pessoal e encargos do TJRJ ficar insuficiente nem detalhou como os R$ 462,8 milhões serão utilizados.
Na sessão desta quarta, Alan voltou a questionar a operação. Segundo o deputado, a LOA de 2026 aponta um déficit de R$ 14 bilhões e, por isso, seria necessário esclarecer bem a destinação dos recursos.
“Não é admissível que essa casa possa achar normal R$ 622 milhões, mais R$ 462 milhões, totalizando mais de um R$ 1.1 bilhão, sem nenhuma justificativa. Nós somos o controle. Nós somos os fiscalizadores do Executivo”, sustentou.
O parlamentar também relacionou o aumento das receitas estaduais à alta do preço do petróleo e criticou as medidas de redução de despesas adotadas pelo governo de Ricardo Couto. Segundo ele, a economia projetada com a exoneração de servidores comissionados seria pequena diante do aumento futuro da folha que, em sua avaliação, será deixado para o próximo governador.
Alan Lopes afirmou ainda que o processo relacionado ao crédito não deveria permanecer sob sigilo e cobrou atuação da Controladoria-Geral do Estado (CGE) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
“Não tem que ter contrato em sigilo. A CGE está fazendo o quê? Serve para quê a CGE?”, questionou.
