Empresas sob auditoria na Cedae participaram de etapas do Novo Guandu, obra bilionária da estatal

Novo Guandu

A construção da Estação de Tratamento de Água Novo Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, uma das principais obras de abastecimento de água do estado, reúne empresas que já apareceram em investigações sobre contratos públicos e estão no radar dos órgãos de controle.

A Construverde Construções e Serviços, que tem quatro contratos com a Cedae incluídos nas auditorias do governo do estado do Rio, foi responsável pela preparação do terreno da nova estação de tratamento. Já a Engeconsult, contratada para gerenciar e supervisionar o programa, foi citada na Operação Ouroboros, que apura suspeitas de corrupção e fraude em licitações envolvendo o Instituto Rio Metrópole (IRM).

Orçada em R$ 1,35 bilhão, as obras do Novo Guandu começaram nesta semana, 12 anos depois de terem sido anunciadas. É o principal equipamento de um complexo de produção e distribuição de água estimado em R$ 2,1 bilhões.

Construtora sob auditoria

Em 2022, a Cedae contratou a Construverde para executar a infraestrutura inicial do terreno, com mais de 390 mil m². O serviço incluiu terraplanagem, macrodrenagem e a construção de um muro de proteção de aproximadamente quatro quilômetros.

A empresa possui oito contratos com a estatal, que somam cerca de R$ 427 milhões. Quatro deles, firmados entre 2021 e 2025 e que ultrapassam R$ 355 milhões, foram incluídos na auditoria aberta pelo governo estadual na gestão de Ricardo Couto.

Os contratos envolvem, além de serviços de terraplanagem, o remanejamento de tubulações no entorno da Fundação Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, e a distribuição de água por caminhões-pipa.

A Construverde continuou recebendo contratos da Cedae mesmo depois de ser multada administrativamente pela própria companhia. As penalidades aplicadas à empresa somam aproximadamente R$ 400 mil.

A apuração sobre a construtora também não se restringe à estatal. Em 2023, o Ministério Público do Rio passou a investigar uma suspeita de superfaturamento de R$ 30 milhões em um contrato de R$ 71 milhões firmado entre a empresa e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

Naquele mesmo ano, veio a público que, em um contrato com a Cedae para fornecimento de água durante a pandemia, a habilitação da empresa foi concedida apenas um dia depois da assinatura.

Gerenciamento do Novo Guandu e Operação Ouroboros

A outra empresa que aparece nessa conexão é a Engeconsult. Contratada pela Cedae em 2021, por R$ 22,3 milhões, ela ficou responsável pelo gerenciamento e pela supervisão das obras do Programa Novo Guandu. Dez aditivos elevaram o valor do contrato para R$ 29,6 milhões.

A empresa também foi citada pelo MP na Operação Ouroboros, que investiga um suposto esquema de corrupção e fraude em contratos do Instituto Rio Metrópole (IRM). Segundo a investigação, acordos firmados pelo instituto com empresas contratadas teriam sido utilizados para desviar recursos públicos.

A Engeconsult também aparece entre as empresas envolvidas nos contratos do IRM. Uma auditoria do governo apontou que um acordo firmado entre a companhia e o instituto passou de aproximadamente R$ 20 milhões para quase R$ 60 milhões.

A investigação do MP estima que o esquema  tenha movimentado R$ 86,28 milhões e resultou em 11 denunciados por crimes como organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O contrato da Engeconsult no Novo Guandu está vinculado à Diretoria Técnica e de Projetos da Cedae, comandada por Humberto de Mello Filho. Foi ele quem autorizou, em abril, um repasse de R$ 30 milhões ao Instituto Rio Metrópole, dois meses antes da deflagração da operação.

Humberto ocupa posições de comando na área de engenharia da Cedae desde 2015. A diretoria sob sua responsabilidade atua na elaboração de projetos, custos e orçamentos, além da fiscalização de obras e do controle de contratos.

A auditoria sobre os contratos da Cedae foi formalizada em julho, por meio de uma resolução conjunta do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Casa Civil e da própria companhia. O trabalho tem prazo de 180 dias e prevê o encaminhamento de eventuais indícios de infração penal ao Ministério Público e à Polícia Civil.

A Engeconsult afirmou, em manifestação anterior ao TEMPO REAL, que não praticou irregularidades e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A empresa também negou envolvimento em qualquer esquema ilícito relacionado aos contratos do Instituto Rio Metrópole.

Com informações de JuriNews.

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